Cuidado redobrado com o concreto confeccionado na Obra – Parte 2

Esta 2ª parte do Post http://ow.ly/bj5FV tratará como foram identificados os problemas e as medidas que podem ser tomadas para minimizar estes riscos.

Iniciando, convém salientar que uma boa aparência externa de um concreto não está necessariamente comprovando que a resistência de projeto tenha sido atingida.

Foto1
Pilar de concreto onde a retirada do reboco provocou a queda da camada de proteção da armadura, demonstrando a fragilidade da peça estrutural

Na foto 1 observa-se um pilar cuja retirada cuidadosa do reboco, para substituição do revestimento, trouxe consigo uma camada significativa do concreto, a ponto de algumas regiões deixarem os estribos aparentes. Neste caso foram encontradas resistências abaixo de 10 MPa.

Na foto 2, o concreto aparentemente se apresenta bem executado, não encontramos indícios a olho nu, que nos levem a crer que os testemunhos extraídos do mesmo pudessem, também, apresentar valores abaixo de 10 MPa.

Foto2
A peça estrutural apresenta uma textura própria de um concreto bem executado, mas os testemunhos retirados revelaram uma resistência menos da metade da exigida em projeto

Então como evitar a ocorrência deste tipo de problema ?

Habitualmente, as obras de menor porte que executam concreto no próprio canteiro não contratam serviços de tecnologia do concreto, incorrendo num risco relativamente grande frente a um investimento pequeno.

Explicando melhor, se você precisa fazer o concreto na própria obra, por qualquer um dos motivos mencionados no artigo anterior, não abra mão de fazer ao menos a moldagem e a ruptura de corpos de prova experimentais, que ajudarão a definição do traço a ser executado durante toda a fase de estrutura.

A princípio o investimento necessário, mas que será diluído ao longo da utilização nas obras, está na aquisição de alguns equipamentos e ferramentas que diminuirão a dependência dos serviços contratados.

São eles basicamente:

  • Moldes para Corpos de Prova Cilíndricos medindo 10 x 20 cm ou 15 x30 cm
  • Concha bico redondo
  • Haste para adensamento, ou ferro mecânico de 16 mm x 600 mm
  • Funil para acoplagem no Corpo de Prova Cilíndrico de 10 x 20 cm – Opcional

A NBR-5738/03 regulamenta o procedimento para moldagem e cura de corpos de prova de concreto, entretanto, resumidamente, descrevemos abaixo os passos a serem seguidos.

1 – Coletar a quantidade necessária na betoneira para moldagem dos corpos-de-prova e/ou para o ensaio do abatimento do tronco de cone, nunca no primeiro ou no último carrinho de mão.

2 – Conduzir a amostra ao local da moldagem que deve ser em área protegida e específica para esta. Os moldes de corpo de prova devem ser colocados sob base regularizada e plana, devendo permanecer em repouso pelo prazo mínimo de 24 horas.

3 – Para o adensamento, a amostra é colocada no molde em 3 camadas no caso de Corpo de Prova de 15 x 30 cm e 2 camadas para o de 10 x 20 cm.

4 – O adensamento pode ser manual ou vibratório dependendo do abatimento, no caso das estruturas corriqueiras o abatimento deve ser usado acima de 60 mm.

  • até 20 mm – vibratório
  • 20 a 60 mm – manual ou vibratório
  • 60 a 180 mm – manual

5 – O adensamento manual é executado com uma haste metálica lisa (ferro redondo mecânico) de 600 mm por 16 mm. No molde de 15 x 30 cm, 25 golpes por camada e no molde de 10 x 20 cm, 12 golpes por camada.

6 – Durante a compactação de uma camada a haste não deve ultrapassar o limite da camada já adensada.

7 – A última camada deve sobrepassar ligeiramente o topo do molde, para facilitar o respaldo

8 – Deverá ser afixada na parte superior do CP uma ficha com as seguintes informações mínimas:

  • fck esperado de acordo com o traço executado, o Projeto Estrutural e a NBR-8953
  • hora da moldagem
  • número de corpos-de-prova do lote
  • número que identifique o mesmo lote ou série moldada.

9 – O processo de desforma do CP somente deve ser feito após 24 horas tomando-se o cuidado de não danificar o mesmo. As informações da etiqueta devem ser verificadas e por deve-se marcar com lápis de cera o número do lote nas laterais do CP. Após a desforma, colocar os CPs em um reservatório com água até o deslocamento ao local de ruptura.

A seguir aguarda-se os valores de ruptura dos CPs para comparação com os necessários para utilização na obra. O resultado da ruptura aos 7 dias, cerca de 70% da resistência do concreto aos 28 dias pode dar uma boa noção da adequação do traço realizado. Lembre-se, este método deve ser repetido e cada fase da obra pois ao longo da mesma pode ser necessário fazer ajustes no traço do concreto, por diversos fatores, tais como mudança de fornecedor de agregados, variações de umidade da areia, etc …

Complementando, segue um vídeo com a moldagem de corpos de prova, que deve, preferencialmente, ser executada por uma pessoa treinada para desenvolver este serviço

Moldagem do corpo de prova de concreto – http://ow.ly/bjgzo

Este Post continuará …

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