Construções NZEB – Net Zero Energy Buildings

A nova geração de prédios verdes está chegando

Tecnologias estão sendo desenvolvidas e direcionadas para obtenção da Construção NZEB (Net Zero Energy Buildings), ou seja, construções que produzem energia equivalente ao seu consumo além de reduzir a zero as emissões de gases de efeito estufa.

NZEB é um fator chave para redução do uso de energia e emissão de gases de efeito estufa durante a vida útil do edifício.
A visão NZEB, na indústria da construção, está se tornando atraente tanto para edifícios comerciais quanto para residenciais, que hoje podem alcançar níveis de utilização de 40% de energia e 70% de eletricidade baseada no uso destas tecnologias.

A meta de energia zero só será possível com a queda dos custos das tecnologias de energias alternativas e com o aumento dos custos dos combustíveis fósseis tradicionais.

Políticas e diretrizes de governos em todo o mundo estão facilitando a onda NZEB. A União Europeia emitiu uma diretriz de construção, de que todos os edifícios residenciais e comerciais devem ser NZEB à partir de 2018. Políticas similares ocorrem nos EUA, como no estado da Califórnia, onde edifícios residenciais devem implementar estas tecnologias até 2020 e edifícios comerciais até 2030.

Estratégias NZEB

Geração no local e uso de materiais sustentáveis são a chave para realizar NZEB em edifícios verdes. Minimizar o consumo de energia por meio de projetos de construções eficientes deve ser a mais alta prioridade para todos os “Projetos NZEB”.

Espaços limpos, multifuncionais e bem dimensionados, juntamente com uma construção eficiente se tornará a base sólida para seu projeto net zero. Com o auxílio de ferramentas avançadas de análise de energia, efeitos da insolação, cálculo da carga e o dimensionamento de HVAC (aquecimento , ventilação e ar condicionado), bem como a avaliação econômica, as equipes de projeto podem otimizar a eficiência da energia e a escolha das tecnologias mais adequadas.

O próximo passo para a Eficiência Energética é a obtenção de fontes de energia no próprio local ou próximas ao empreendimento. As alternativas mais utilizadas são a Energia Fotovoltaica (PV),  Solar e Eólica.

Conclusão

A medida que as técnicas, em uso para Construções NZEB, se tornarem economicamente viáveis, as possibilidades de utilização em larga escala tendem a abranger comunidades e até mesmo cidades. É uma questão de tempo !

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Brasil – Expectativas da Matriz Energética para 2013 e sua evolução até 2020

A geração eólica no Brasil deve aumentar cerca de 30% a sua capacidade instalada em 2013, hoje avaliada em 1.800 MW, com a entrada em operação das seguintes novas instalações:

  1. Livramento no Rio Grande do Sul – 78 MW
  2. Miassaba 3 no Rio Grande no Norte – 68,5 MW
  3. Rei dos Ventos 1 e 3 no Rio Grande do Norte – 118,6 MW
  4. Casa Nova na Bahia – 180 MW
  5. Pedra Branca na Bahia – 30 MW
  6. São Pedro do Lago – 30 MW
  7. Sete Gameleiras na Bahia – 30 MW

Apesar destes números a participação da Energia Eólica no Sistema Elétrico Interligado Nacional (SIN), que é avaliado em 120 GW, representa apenas 1,5% do total.

Para o próximo ano estão previstos também o início de operação das seguintes Usinas Hidrelétricas:

  1. Jirau em Rondônia – 3.750 MW
  2. Simplício no Rio de Janeiro – 334 MW
  3. Batalha em Goiás – 52,5 MW
  4. São Domingos no Mato Grosso do Sul – 48 MW
  5. João Borges em Santa Catarina (PCH – Pequena Central Hidroelétrica) – 19,5 MW

Matriz Energética

Segundo estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a evolução da Matriz Energética entre 2010 e 2020 terá o seguinte perfil:

EvolOferInt

Como se observa por estes gráficos, a evolução aponta para uma participação das fontes renováveis de 46,3% em 2020 ante os 44,8% apresentados em 2010. Dessa forma, o Brasil se manterá como o país de matriz mais limpa no mundo.

Capacidade instalada

O Plano Decenal da EPE prevê que a capacidade instalada no Sistema Elétrico Interligado Nacional (SIN) deve evoluir de cerca de 110 GW (dezembro de 2010) para 171 GW (dezembro de 2020), com a priorização das fontes renováveis (hidráulica, eólica e biomassa).

O gráfico a seguir demonstra a nova distribuição:

EvolCapInstA geração eólica, neste panorama, será destaque, aumentando de 1% para 7% de participação em 2020. Com isso, a fatia de fontes renováveis se manterá em torno de 82%-83% ao final do decênio.

Fontes do Artigo

  1. Eletrobrás – http://ow.ly/gqd1Z
  2. EPE – http://ow.ly/gqd61
  3. Perspectivas e planejamento do setor energético no Brasil de autoria de Mauricio Tiomno Tolmasquim
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Construção Verde e Revitalização – O caso de Cincinnati

O que podemos aprender para o Brasil

Todos os grandes centros urbanos do Brasil, sem exceção, possuem áreas em que o abandono, por parte dos governos municipais, inibiu ao longo do tempo o investimento privado. Estes locais, com as crescentes dificuldades de mobilidade e a falta de políticas de revitalização, entre outras, estão em processo contínuo de envelhecimento.

Discutindo o assunto com alguns proprietários de imóveis comerciais na combalida Avenida W3 Sul, uma das principais ruas de comércio da cidade de Brasília, percebe-se a divergência de ideias e de soluções à vista.

A falta de uma pauta conjunta, de ações com investimentos público/privados, para resolver o problema, coloca as partes interessadas numa queda de braços sem vencedor.

Apesar de todo o investimento que o Governo faz, atualmente, para resolver as questões “macro” de infraestrutura, estacionamento e mobilidade, ainda padecemos de uma visão sistêmica visando revitalizar e até mesmo preservar as regiões mais antigas das grandes cidades.

Abaixo faço um pequeno “Post” sobre como uma cidade está resolvendo as suas questões, visando à melhoria da qualidade de vida e trabalho, valorizando o investimento em energias renováveis, conservação e outras inovações mais.

Este é o “case” da cidade de Cincinnati nos Estados Unidos, que continua a incentivar a construção verde

A prefeitura local vai anunciar em breve propostas visando alterações para o seu programa de redução de impostos para prédios já construídos, baseado na adesão aos padrões LEED (Leadership in Energy and Environmental Design).

As mudanças visam incentivar os interessados a alcançar certificações LEED ainda maiores.

Os construtores locais tem expectativa de que os novos incentivos irão convencer as pessoas a investirem na certificação.

O primeiro plano aprovado, datado de 2009, oferecia uma redução de 100% do imposto, durante 15 anos, para construções residenciais novas com valor de mercado de até U$ 562.792, e uma redução de impostos durante 10 anos, para reformas. Estes incentivos são considerados entre o mais agressivos nos Estados Unidos.

Após analisar as críticas, de que os construtores investiam apenas o necessário para pleitear os incentivos, sem atingir efetivamente níveis desejados de eficiência, ou seja, padrões LEED superiores, um novo plano foi concebido. Os incentivos propostos em Cincinnati  combaterão este problema, através da remoção do limite de valor de mercado para as novas e reformadas estruturas residenciais e comerciais que atingirem a certificação LEED Platinum.

Os líderes comunitários se reunirão com membros da comunidade para anunciar as mudanças propostas, e as autoridades da cidade estarão à disposição para responder perguntas sobre as alterações concedidas aos abatimentos de impostos residenciais e comerciais.

“O abatimento de imposto da cidade de Cincinnati através da certificação LEED é um modelo inovador, atualmente sem paralelo, com objetivo de apoiar a conservação de energia e eficiência dos recursos em casas e edifícios”, diz Doug Widener, diretor do United States Green Building Council (USGBC). “O programa serve de modelo para outras cidades, e as mudanças propostas vão garantir que Cincinnati permaneça na vanguarda desses esforços, a nível nacional, promovendo a conservação e inovação localmente.”

Conclusão

Observa-se que o plano parece ser simples, formulado pela administração pública, construtores e líderes comunitários, todos empenhados numa solução que atenda aos interesses da comunidade, um modelo que não conseguimos exercitar com frequência no Brasil. Por aqui os interesses, infelizmente, são extremamente divergentes e as soluções são percebidas como miragens em um deserto.

Vale uma reflexão !

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NZEB(*) – A próxima geração de construções energeticamente eficientes

(*) Net Zero Energy Building

Uma rede de energia zero, residencial,  poderia fazer das contas de serviços públicos uma coisa do passado

E se em vez de pagar a energia elétrica da sua casa, ela produzisse, a mais, o suficiente para pagar o seu próprio consumo ?

Pode soar como um desejo, mas os cientistas do National Institute of Standards and Technology estão perto de torná-la realidade, com um laboratório único que se disfarça como uma casa, em Washington DC.

O NIST – Net-Zero Energy Residential Test Facility produz energia tanto quanto, ou mais, do que consome, graças a uma série de recursos de alta tecnologia, tais como painéis solares, sistemas de aquecimento e refrigeração de ponta, e por uma construção praticamente hermética. A energia não consumida na casa de 4 quartos e 3 banheiros é vendida para a empresa de serviços públicos local, ajudando a compensar o que a empresa de eletricidade teriam que fornecer nos meses com maior demanda.

Analistas estimam que a casa de 250 m2 construídos irá gerar 15 a 20% a mais de energia do que a mesma consome, vendendo o excedente para a concessionária local, no período de 8 meses do ano.

Para ajudar os cientistas a testar os sistemas da casa e determinar se ele é realmente “net-zero”, uma família virtual de 4 pessoas foi concebida. O consumo de energia desta família será simulado por computadores que ligam e desligam diversos aparelhos domésticos, de acordo com as rotinas diárias e com os perfis idealizados para a simulação.

Para se projetar uma casa “super eficiente em termos de energia” não precisamos imaginar um design futurista. A casa do NIST parece uma casa de luxo, construída com uma fachada bonita e requintados detalhes de acabamento.

Esta casa tem todas as características e estética que você encontraria em uma casa luxuosa  de Washington, DC. Não há realmente nada de exótico e nada que não possa ser facilmente executado com a construção convencional.

Construir a casa é apenas a primeira fase do projeto, os cientistas e engenheiros do NIST vão começar um projeto de dois anos de pesquisa, colocando a casa net-zero em regime de teste. Os computadores vão simular tudo, desde o carregamento do telefone celular, o uso do aspirador de pó, a quantidade de água usada para cozinhar as refeições e tomar banho.

O objetivo do projeto, além de redução dos custos de energia, é chegar com a próxima geração de normas de projeto e padrões de construção. A idéia é influenciar a indústria da construção civil, desenvolvendo códigos e padrões que nos movem em direção ao net-zero.

Uma propriedade equipada com esta alta tecnologia em eficiência energética pode definir potenciais compradores de US$ 600.000 ou mais, não incluindo o custo do lote. Adicionando aparelhos sofisticados e acabamentos de melhor padrão, podesse aumentar ainda mais o preço de venda.

Ainda assim, os envolvidos no projeto de pesquisa, financiado com recursos de US$ 2,5 milhões, vislumbram muito além destes números. Na medida que os edifícios consomem mais energia do que os setores de transporte e indústria, mesmo pequenos avanços na eficiência energética podem significar uma grande economia, não só nas contas dos consumidores de energia, mas no consumo total de energia.

Esta é mais uma novidade no mercado, que vem ganhando força gradativamente, rumo a cobiçada auto-suficiência energética !

Este Post foi baseado no artigo de Meg Handley para o U.S.News em http://ow.ly/eVJyw

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Nova certificação para Edifícios Verdes tem como foco as paisagens

Uma nova certificação que promove a construção e a melhoria da área verde ao redor das edificações e cidades está surgindo.

Denominada de “SITES”, as diretrizes desta certificação visam restaurar e melhorar a nossa infraestrutura “verde” urbana, envolvendo questões como a capacidade do solo e da vegetação em gerir as águas pluviais, promovendo a melhoria da limpeza e do fornecimento da nossa água e ar, economia de energia além da reciclagem de resíduos orgânicos, criando cidades com melhores condições de habitação.

150 projetos estão participando de um piloto há cerca de 2 anos, sendo que a certificação será aberta ao público interessado no ano que vem. A certificação se aplica a paisagens com e sem edifícios e utiliza um sistema de classificação similar ao LEED, dando pontos para projeto sustentável, construção e manutenção de paisagens.

Terras agrícolas e zonas úmidas, preservação de águas pluviais, a conservação da água, qualidade do ar, a proteção do clima, solo, vegetação, habitat e comunidade são todos dirigidos pelo “SITES” usando um compilador de plataformas de ecossistemas.

O “SITES” incentiva, por exemplo, o estabelecimento de zonas de proteção da vegetação e do solo para limitar o impacto da construção, a criação de um plano de manejo do solo para restaurar ou proteger o solo, a restauração de matéria orgânica em locais de construção e o planejamento para operações de longo prazo, que incluem reciclagem e reutilização de orgânicos.

A certificação é uma parceria entre a Sociedade Americana de Arquitetos Paisagistas, o Lady Bird Johnson Wildflower Center da Universidade do Texas em Austin e o Jardim Botânico dos Estados Unidos. O sistema de classificação está sendo desenvolvido por um grupo formado por especialistas em sustentabilidade, cientistas e profissionais de projeto.

Maiores informações sobre o “SITES” podem ser obtidas no site da organização, no endereço – http://www.sustainablesites.org/

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Edifícios existentes x verdes – Uma ajuda da Comunidade Europeia para o combate ao desemprego

Vamos ver neste “Post”, baseado no artigo de Shayla Walmsley para o IPE – Investment & Pensions Europe – http://www.ipe.com/como a Comunidade Europeia está criando alternativas para diminuir o desemprego entre os seus Estados Membros, tendo como alvo a remodelação de edifícios existentes, normalmente um mercado composto por construções antigas mas de localização ou potencial imobiliário bastante elevado

Nesta semana a Comunidade Europeia lançou uma estratégia para melhorar o baixo investimento atualmente empregado em eficiência energética dos edifícios.

Efetivamente, o plano de ação irá promover a geração de empregos no setor da construção europeia, mas a comissão encarregada está visando outros resultados, incluindo a criação de “condições favoráveis de investimentos​​”, especialmente para a renovação de edifícios existentes. Reduzir o consumo de energia em edifícios existentes é descrito como um “seguro e viável” ativo para os investidores públicos e privados.

Em um documento que acompanha o anúncio do Plano, a comissão identificou as garantias dos empréstimos e um projeto de emissão de títulos pelo Banco Europeu de Investimento, que garantirá o fornecimento de € 4,5 bilhões para projetos-piloto de infraestrutura.

O plano também irá encorajar incentivos nacionais, entre estes a redução de taxas como a VAT (Value Added Tax) para edifícios verdes. Segundo comunicado da Comunidade, “As novas tecnologias oferecem um grande potencial, não só para novas casas, mas também para renovar milhões de edifícios existentes para torná-los altamente eficiente de energia em consonância com os objetivos da UE 2020”. As ousadas metas estabelecidas preveem uma redução de 20% nas emissões, aumento de 20% na utilização de energias renováveis ​​e uma melhoria de 20% na eficiência energética até 2020.

O anúncio desta semana é o primeiro estágio de um processo que se espera seja demorado. O próximo passo será de a criação de um fórum composto pelos Estados Membros e setores representativos para discutir as recomendações, os ajustes necessários e iniciativas adicionais a serem implementadas.

Será, sem dúvida, um longo caminho a ser percorrido, aliando a necessidade imediata de ajuda no combate ao desemprego e os frutos que serão colhidos com o investimento em eficiência energética de edifícios.

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A evolução tecnológica na construção civil

Veremos neste “Post”, inspirado no artigo “Trimble’s Plans to Acquire WinEstimator” (1), como está se comportando o mercado dos EUA, com relação a evolução das empresas de tecnologia para construção civil, e a similaridade com o mercado brasileiro, onde poucas são as empresas provedoras de softwares para a construção.

Ser capaz de compartilhar informações sobre o custo estimado, no gerenciamento de projetos, pode produzir alguns resultados interessantes, permitindo que equipes possam comparar estes com os custos reais. A integração destes dois importantes processos pode levar a uma maior adoção da tecnologia BIM (Building Information Modeling) e do IPD, (Integrated Project Delivery) na construção.

O IPD, ou simplificadamente chamado de prática integrada, é um conceito que “visa melhorar os resultados do projeto por meio de uma abordagem colaborativa alinhando os incentivos e as metas da equipe do projeto através do compartilhamento de risco e recompensa, do envolvimento precoce de todos os agentes e de um acordo pluripartidário”  (KENT; BECERIK-GERBER, 2010).

“A prática integrada envolve a integração de projeto e da entrega de produtos e serviços e busca minimizar as ineficiências estruturais e de processo, visando aumentar o valor entregue no planejamento, concepção, desenvolvimento, construção e operação da edificação”, conforme mencionado pela Professora Dra. Regina Coeli Ruschel e o Professor Dr. Ariovaldo Denis Granja, por ocasião do editorial da Revista PARC#5 (2).

Nesta semana, a Trimble Navigation (3), anunciou mais uma aquisição, de uma série de outras já realizadas, visando a integração de estimativas de custos no gerenciamento de projetos, ajudando a levar a tecnologia BIM (Building Information Modeling) para o campo através de novas ferramentas. Com esta visão, ela adquiriu o WinEstimator, um software provedor de orçamentos de custo de construção.

Nos últimos sete anos, a Trimble desenvolveu um portfólio de software através de uma série de aquisições no âmbito da construção. O foco da empresa era originalmente no campo de equipamentos de tecnologia e soluções de GPS para a construção, o que vem desenvolvendo até hoje. Nos últimos anos, entretanto, a organização ampliou seu alcance com várias inclusões na sua plataforma de softwares.

Em 2006, a empresa deu um grande passo nesta direção ao fazer a aquisição da Meridian Systems (4), que atua no fornecimento de software de gerenciamento de projetos. Após esta aquisição a Trimble anunciou uma série de outras aquisições similares, entre 2009 e 2012, incluindo o “QuickPen” destinado a empresas direcionadas ao HVAC (Aquecimento, Ventilação e Ar Condicionado), Accubid para as de Projetos Elétricos e Mecânicos, Tekla para Projetos em BIM, e mais recentemente, o SketchUp para modelagem.

A adição do software Modelogix, da Winest (5), irá proporcionar uma nova ferramenta, permitindo que os proprietários de projetos e as empresas contratadas para desenvolvê-lo utilizem uma base histórica, com dados de custos de várias fontes diferentes. O sistema permite aos usuários integrar estimativas passadas e os custos reais dos projetos atuais, fornecendo um orçamento mais preciso.

É interessante observar a abordagem da Trimble para o mercado da construção nos últimos anos. A empresa está se posicionando como um fornecedor completo de soluções BIM desde a concepção até a sua conclusão.

Para as empresas de construção, o mercado de tecnologia para construção está diminuindo significativamente. Grandes fornecedores, como Trimble e Autodesk (6), entre outros, estão incorporando empresas de tecnologia, de pequeno e médio porte, com a finalidade de empurrar o conceito BIM para o campo através de novos atrativos.

A boa notícia, para as equipes de construção, é que a aquisição provavelmente irá significar processos mais integrados do início ao fim, bem como novas formas de entregar as informações aos profissionais no campo.

Por outro lado, também indica que, há agora menos opções no mercado, e o grande número de aquisições nos últimos meses pode estar deixando muitas empresas de construção com mais perguntas do que respostas sobre o futuro da tecnologia na construção civil.

Então, você percebe alguma similaridade com o mercado brasileiro, embora ainda sejamos iniciantes quando se trata de utilização do BIM e do IPD ?

Este movimento não produzirá um atraso para a adoção destas tecnologias por parte da maioria dos profissionais de AEC ?

(1) http://ow.ly/c1lhN

(2) http://www.fec.unicamp.br/~parc/vol1-n5.htm

(3) www.trimble.com – Sunnyvale, Califórnia

(4) www.meridiansystems.com – Folsom, Califórnia

(5) http://www.winest.com/default.aspx – Kent, Washington

(6) www.autodesk.com – San Rafael, Califórnia

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É possível deixar a sua casa ou imóvel um pouco mais sustentável ?

A tendência de construções verdes, o greenbuilding, ainda é um mercado relativamente novo e promissor, principalmente dentro dos países com maior nível de desenvolvimento econômico e social. Embora ainda restrito a poucas empresas, que conseguiram equacionar as questões envolvendo projetos, técnicas construtivas e retorno de investimento, podemos imaginar, entretanto, que num futuro próximo o movimento causado pela esta nova “onda” chegue ao mercado de imóveis usados.

Construídos totalmente fora dos padrões modernos, quando comparados aos atuais princípios de sustentabilidade, estes imóveis serão um novo desafio, a ser encarado pelo sempre aquecido de mercado de reformas e retrofit de edificações.

 Apenas como exemplo, e por ser no mínimo curioso, relatamos abaixo o caso vivido pelo vencedor do Oscar de melhor ator com o filme “The King’s Speech”, Colin Firth.

Ele e sua mulher, a ativista ambiental Livia, tiveram negado o pedido para instalar um grande painel solar em sua residência, no elegante bairro Parque Bedford na capital britânica, onde as propriedades costumam ser vendidas por cerca de US $ 6,4 milhões (£ 4.000.000).

O motivo alegado para rejeição do pedido, pelos “funcionários da prefeitura”, foi que a propriedade está localizada em uma área tombada da cidade.

A prefeitura insiste que o dispositivo, que economizaria uma boa quantidade de energia elétrica, seria “excessivamente grande” e prejudicaria o aspecto do bairro histórico.

No despacho, a visão dos funcionários da prefeitura, “…a autorização para instalação do painel iria corroer as qualidades arquitetônicas da própria construção e causaria um dano real às características e aparência da área de conservação…”

Então, como se observa, as dificuldades para a adequação de imóveis usados iniciam já na hora da decisão do investimento. Os estudos devem começar dentro das próprias administrações e prefeituras locais, antevendo todas as interferências existentes com a edificação e a legislação vigente.

Ainda somos um País carente de profissionais e empresas com esta especialização, porém percebo que este mercado será muito valorizado num futuro próximo !

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Construção Civil – Implantando sustentabilidade nos negócios

Mais um caso de sucesso, a ser analisado, que está acontecendo com uma empresa de nível internacional que investiu pesado no “greenbuilding”.

Trata-se da Skanska, que é uma empresa de origem sueca, líder global no desenvolvimento de projetos e construções, empregando 53.000 funcionários em alguns mercados selecionados na Europa, EUA e na América Latina.

Os relatos a seguir foram baseados nas informações de atuação da empresa no Reino Unido, a Skanska UK.

A visão de sustentabilidade, dentro dos seus negócios, é tão clara que costumam definir a sua cor, em relação a construção verde, como um verde profundo.

Sua missão é o desenvolvimento de projetos de construção civil e infraestrutura, com a premissa de construir edifícios verdes “profundos”, ou seja, todos com um impacto quase nulo sobre o meio ambiente.

Com um gasto anual de mais de U$ 1,6 bilhões com seus 6.000 fornecedores, a empresa não tem dúvidas de que, para alcançar sua visão ambiciosa, necessita  trabalhar bem perto da sua cadeia de suprimentos. Nos últimos dois anos a Skanska fundamentalmente revisou, modificou e, em alguns casos, reformulou o modo como a empresa adquire produtos e serviços para firmemente colocar-se no caminho da sustentabilidade.

A empresa criou fóruns e reuniões com a cadeia de suprimentos com o objetivo de adquirir produtos campeões em termos de sustentabilidade.

Ela agora dá preferência aos fornecedores que alinharam produtos e serviços com seus princípios de compras sustentáveis. As mercadorias, consideradas de alto risco, sofrem uma auditoria intensiva de dois dias para estabelecer níveis de conformidade com as suas políticas de aquisição. O resultado da auditoria é um relatório detalhado que impulsiona o desenvolvimento conjunto de um plano de ação para solução dos problemas identificados. Em apenas um ano, o número de casos de “não-conformidade” foi reduzido para um terço.

“Boas compras, dentro da empresa, contribuem para o sucesso e a obtenção de projetos rentáveis”, diz Mike Putnam, presidente & CEO da Skanska UK. “Nossa abordagem em direção às compras sustentáveis, sem dúvida, nos ajudou a ganhar novos contratos, e a ter uma melhor reputação no Reino Unido, uma empresa líder na ética e na construção verde, o que tem contribuído significativamente para alcançar os objetivos do negócio”, acrescenta.

A empresa define suas compras sustentáveis através da análise de seis pontos principais:

  • saúde da cadeia de suprimentos
  • segurança da cadeia de suprimentos;
  • ética do fornecedor
  • aspectos de igualdade, diversidade e inclusão existentes na cadeia de suprimento
  • fonte seja ambientalmente correta
  • e o mais importante, que são os contratos com melhor gestão de qualidade na sua fabricação

Um dos projetos de longo prazo da empresa, tem ajudado londrinos desempregados a conseguirem empregos na indústria da construção sustentável. A equipe de avaliação de acreditação do Chartered Institute of Purchasing e Supply escreveu no seu relatório: “A Skanska está na vanguarda da licitação sustentável … e isto é fundamental na abordagem global da empresa em prol da sustentabilidade.”

A empresa já assegurou financiamento no http://www.cskills.org/ para lançar uma Escola da Cadeia de Suprimentos Sustentável, um portal web interativo que vai ajudar os fornecedores a desenvolver os seus conhecimentos e habilidades em favor da sustentabilidade. Neste projeto a empresa está trabalhando com vários fornecedores importantes para que a iniciativa promova benefícios em toda a indústria.

Assim, pudemos ler sobre mais um exemplo de como as empresas vem adaptando a cultura e a gestão dos seus negócios, com sucesso e retorno comprovados, em direção do “Greenbuilding”, provocando modificações importantes dentro da Indústria da Construção.

Este Post é uma adaptação do artigo “Skanska UK: a deeper shade of green” publicado na Secção de Negócios Sustentáveis do The Guardian – http://ow.ly/bkEsU

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Cuidado redobrado com o concreto confeccionado na Obra – Parte 2

Esta 2ª parte do Post http://ow.ly/bj5FV tratará como foram identificados os problemas e as medidas que podem ser tomadas para minimizar estes riscos.

Iniciando, convém salientar que uma boa aparência externa de um concreto não está necessariamente comprovando que a resistência de projeto tenha sido atingida.

Foto1
Pilar de concreto onde a retirada do reboco provocou a queda da camada de proteção da armadura, demonstrando a fragilidade da peça estrutural

Na foto 1 observa-se um pilar cuja retirada cuidadosa do reboco, para substituição do revestimento, trouxe consigo uma camada significativa do concreto, a ponto de algumas regiões deixarem os estribos aparentes. Neste caso foram encontradas resistências abaixo de 10 MPa.

Na foto 2, o concreto aparentemente se apresenta bem executado, não encontramos indícios a olho nu, que nos levem a crer que os testemunhos extraídos do mesmo pudessem, também, apresentar valores abaixo de 10 MPa.

Foto2
A peça estrutural apresenta uma textura própria de um concreto bem executado, mas os testemunhos retirados revelaram uma resistência menos da metade da exigida em projeto

Então como evitar a ocorrência deste tipo de problema ?

Habitualmente, as obras de menor porte que executam concreto no próprio canteiro não contratam serviços de tecnologia do concreto, incorrendo num risco relativamente grande frente a um investimento pequeno.

Explicando melhor, se você precisa fazer o concreto na própria obra, por qualquer um dos motivos mencionados no artigo anterior, não abra mão de fazer ao menos a moldagem e a ruptura de corpos de prova experimentais, que ajudarão a definição do traço a ser executado durante toda a fase de estrutura.

A princípio o investimento necessário, mas que será diluído ao longo da utilização nas obras, está na aquisição de alguns equipamentos e ferramentas que diminuirão a dependência dos serviços contratados.

São eles basicamente:

  • Moldes para Corpos de Prova Cilíndricos medindo 10 x 20 cm ou 15 x30 cm
  • Concha bico redondo
  • Haste para adensamento, ou ferro mecânico de 16 mm x 600 mm
  • Funil para acoplagem no Corpo de Prova Cilíndrico de 10 x 20 cm – Opcional

A NBR-5738/03 regulamenta o procedimento para moldagem e cura de corpos de prova de concreto, entretanto, resumidamente, descrevemos abaixo os passos a serem seguidos.

1 – Coletar a quantidade necessária na betoneira para moldagem dos corpos-de-prova e/ou para o ensaio do abatimento do tronco de cone, nunca no primeiro ou no último carrinho de mão.

2 – Conduzir a amostra ao local da moldagem que deve ser em área protegida e específica para esta. Os moldes de corpo de prova devem ser colocados sob base regularizada e plana, devendo permanecer em repouso pelo prazo mínimo de 24 horas.

3 – Para o adensamento, a amostra é colocada no molde em 3 camadas no caso de Corpo de Prova de 15 x 30 cm e 2 camadas para o de 10 x 20 cm.

4 – O adensamento pode ser manual ou vibratório dependendo do abatimento, no caso das estruturas corriqueiras o abatimento deve ser usado acima de 60 mm.

  • até 20 mm – vibratório
  • 20 a 60 mm – manual ou vibratório
  • 60 a 180 mm – manual

5 – O adensamento manual é executado com uma haste metálica lisa (ferro redondo mecânico) de 600 mm por 16 mm. No molde de 15 x 30 cm, 25 golpes por camada e no molde de 10 x 20 cm, 12 golpes por camada.

6 – Durante a compactação de uma camada a haste não deve ultrapassar o limite da camada já adensada.

7 – A última camada deve sobrepassar ligeiramente o topo do molde, para facilitar o respaldo

8 – Deverá ser afixada na parte superior do CP uma ficha com as seguintes informações mínimas:

  • fck esperado de acordo com o traço executado, o Projeto Estrutural e a NBR-8953
  • hora da moldagem
  • número de corpos-de-prova do lote
  • número que identifique o mesmo lote ou série moldada.

9 – O processo de desforma do CP somente deve ser feito após 24 horas tomando-se o cuidado de não danificar o mesmo. As informações da etiqueta devem ser verificadas e por deve-se marcar com lápis de cera o número do lote nas laterais do CP. Após a desforma, colocar os CPs em um reservatório com água até o deslocamento ao local de ruptura.

A seguir aguarda-se os valores de ruptura dos CPs para comparação com os necessários para utilização na obra. O resultado da ruptura aos 7 dias, cerca de 70% da resistência do concreto aos 28 dias pode dar uma boa noção da adequação do traço realizado. Lembre-se, este método deve ser repetido e cada fase da obra pois ao longo da mesma pode ser necessário fazer ajustes no traço do concreto, por diversos fatores, tais como mudança de fornecedor de agregados, variações de umidade da areia, etc …

Complementando, segue um vídeo com a moldagem de corpos de prova, que deve, preferencialmente, ser executada por uma pessoa treinada para desenvolver este serviço

Moldagem do corpo de prova de concreto – http://ow.ly/bjgzo

Este Post continuará …

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